segunda-feira, 24 de julho de 2017

Bordado Humano, Baleia Azul, Tokyo Guru é a Abordagem da Mídia.

E eu achando que a Baleia Azul não era o suficiente, eis que temos mais uma nova moda na Internet. Pessoas do nada resolveram tricotar a mão. Como dizem cabeça vazia e Oficina do Diabo.

E finalmente parece que eu entendi o por que do meme Tokyo Guru.

Mas um dia normal, navegando pela internet em busca dos próximos posts para este blog, ou para compor outro capítulo de Magno Saga (Que mesmo sendo publicado no Nyah! Fanfiction, decidir alterar algumas coisas). Esbarrei em algo chamado Bordado Humano, aventado por alguns como a nova versão do Jogo da Baleia Azul, que se tornou popular na Web no começo do ano.

No Brasil, tivemos recentemente a realização da operação Aquarius, que também levou criminosos, curadores do jogo Baleia Azul, à prisão, Jogo este que a autora Glória Peres vem mostrando isso em sua novela, A Força do Querer. Até que me deparo com a versão 2.0 do Jogo. Diferente deste que esse parece ser mais brando, ele não veio da Rússia, e sim da China.



A história é a seguinte: O site da BBC, rede britânica de comunicação, fez uma ampla reportagem a respeito do que seria um novo jogo suicida. Na tradução livre, a prática poderia ser chamada de Borda Pele ou Bordado Humano. O jogo, (Segundo a Reportagem) cujo objetivo final é provocar a morte de seus participantes, surgiu e se propagou na China.

O jogo chinês induz que adolescentes façam desenhos na própria pele usando agulhas, como se fosse um verdadeiro bordado. Os jovens usam as redes sociais para mostrarem o resultado dessas mutilações.

O grande problema é que seguindo tais exemplos, jovens passaram a criar desafios entre si, praticando essas costuras na pele, fotografando-as e divulgando essas imagens das mutilações pelas redes sociais (Sina Weibo), o que está colocando as famílias em alerta, pois vários jovens já fizeram esses bordados, nos braços, pernas, mãos e lábios, com fios de várias cores.

Essa conduta pode levar o indivíduo à morte, pois ao realizar bordados em seu corpo, sem qualquer esterilização, a pele inflama e pode infeccionar, com alto risco de septicemia e, consequentemente, de morte.

Uma das justificativas para essa nova moda na China, é a popularidade alcançada pelo jogo Baleia Azul entre os jovens. Até a prisão de um chinês que publicava imagens e comentários, incentivando jovens a participar desse jogo, ocorreu por lá.

O medo agora é que, assim como o Baleia Azul, ele venha a se espalhar pelo Ocidente. Assim como o seu antecessor, o Bordado Humano mira adolescentes e jovens que estão passando por momentos complicados.

Nessa fase, muita gente não consegue se aceitar direito e isso pode levar a consequências extremas. O isolamento provocado com a internet acaba sendo um auxiliar nessa fase.

Sem  dúvidas é um problema sério e que requer mesmo uma providência por parte dos responsáveis por combater esse tipo de prática danosa à saúde e ao comportamento dos jovens. A matéria da BBC registra um dado alarmante, pois após a divulgação da notícia e imagens do bordado humano, cerca de 40 mil pessoas comentaram sobre o tema nas redes sociais na Ásia.

Ligaram a praticar de borda a pele, por conta do sucesso que os mangás fazem no Oriente. Um deles, Tokyo Ghoul, da qual uns dos personagens da Obra borda a pele

Mais ai é que entra a outra parte que consequentemente fez a comunidade Otaku repercutiu mais ainda, depois do Daijoubu Mãe da Rede Globo, foi a vez da Rede Record criar (Sem querer) outro meme, o Tokyo Guru.

Assisto televisão de vez em quando e finalmente entendi o por que do meme Tokyo Guru, a principio achei que fosse outra modinha, em dizer o nome real do mangá (Afinal no Japonês e Tōkyō Gūru)

O lance da questão para os otaku é a citação de um mangá no caso. Tokyo Ghoul, um mangá  Seinen de Sui Ishida (Esse eco no nome), está sendo encarado pelo governo chinês como uma possível inspiração para os registros inúmeros de bordados corporais em jovens e chegou a ser proibido por lá. Mas especificamente a personagem Juuzo Suzuya, um investigador de Ghouls da Classe Associado, que aparentemente fortalece-se com a atividade de bordagem corporal. O fato é que Suzuya está sendo encarado como o ícone por trás da onda de casos.



 Não é necessário dizer que a matéria da Record TV, inspirada na vertente ideológica cristã das lideranças da emissora, aproveitou a pauta para atacar de forma veemente o mangá utilizando dos métodos mais sórdidos do jornalismo como a edição parcial. Exemplo direto para isso são as entrevistas com chineses e japoneses que apenas criticam o mangá ou alegam que tem amigos que praticam o bordado humano porque já tiveram contato com a narrativa em quadrinhos.

Aqui fica uma pergunta: Se Suzuya e Tokyo Ghoul (que é uma história violenta e até mesmo nojenta em certos momentos ao ter como plot a vivência dos ghouls na sociedade moderna) são os únicos motivos para o crescimento dos casos de bordado humano por que no Brasil essa febre ainda não pegou, visto que o mangá é bem famoso por essas bandas? Foi oficialmente lançado pela Panini em Julho de 2015, depois de meses dos leitores da mesma pedirem no Facebook (Que conheceram graças ao Anime, e foram procurar nos Scanns).

A resposta não é precisa, mas evidente: Uma série de fatores contribuem para a prática do bordado humano que vão para além do mangá.

Quem consome mangá e animês de forma analítica (Eu) já deve ter percebido que muitos autores usam suas tramas para debater temas delicados para a sociedade que vão desde o bordado humano à pedofilia, por exemplo. Mangás, assim como livros, filmes e etc. não são em sua maioria produtos midiáticos que não debatem temas reais. Suzuya é a forma que Ishida encontrou para falar do bordado humano muito antes de ele ser midiatizado. Aliás, a mídia acaba por inverter papéis ao condenar obras sem ter total conhecimento de suas propostas.


(O que teve de Otaku reclamando de quadrinho e animação não é brincadeira. (Talvez seja um assunto para um Post)

Um ponto positivo nisso tudo é que a comunidade otaku no Brasil, pelo menos, reagiu da forma mais esportiva à matéria. Em casos do tipo já teríamos visto manifestos e ataques nada lisonjeiros à repórter e a emissora pela forma como associa o mangá, e seus leitores, a uma definição de pessoas perturbadas e que amam se auto-mutilar. O que realmente aconteceu foi uma explosão de memes e risos inspirados pelo maravilhoso inglês de Cintia Godoy – que numa tentativa de falar usando a pronúncia japonesa da romanização de Tokyo Ghoul – falou um icônico “Tóquio Guruuu”. Digno de umas boas risadas de fato.

Esse texto não está querendo negar que há entre os otaku aqueles que estão passando por problemas psicológicos e que acabam apelando para práticas como o bordado humano ou a Baleia Azul, mas sim dizer que os otaku brasileiros já amadureceram e conseguem discernir a realidade por trás da matéria. O assunto é sério e deve ser combatido. O que só não pode acontecer é que a grande mídia continue se aproveitando dessas situações para golpear covardemente o consumo do produto do entretenimento japonês.

Será que até Dezembro teremos outro jogo com tendencias suicidas?


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