sexta-feira, 14 de setembro de 2018

O Caso Ubatuba.

Ubatuba (em vermelho), no mapa do estado de São Paulo
Em setembro de 1957, vários banhistas observaram um disco voador se aproximar da Praia das Toninhas, em Ubatuba (SP). O objeto vinha numa velocidade incrível, e quando estava prestes a se chocar contra a água, deu uma guinada subindo em seguida. Foi quando explodiu em chamas e fragmentos sobre o mar, próximo aos banhistas. Algumas testemunhas recolheram pedaços do objeto, constatando ser de um material leve, de aparência metálica. Uma das testemunhas que recolheu pedaços do objeto, enviou uma carta para o colunista do jornal O Globo, Imbrahim Sued, relatando:

A Carta do Pescador.
"Como leitor assíduo do jornal, quero proporcionar-lhes um verdadeiro furo jornalístico a respeito dos discos voadores; se é que acredita na existência deles. Até alguns dias atrás eu mesmo não acreditava. Mas enquanto pescava na companhia de vários amigos, perto de Ubatuba, vi um disco voador aproximando-se da praia numa velocidade incrível, prestes a chocar-se contra as águas, quando, num impulso fantástico, elevou-se rapidamente e explodiu. 
Atônitos, acompanhamos o espetáculo, quando o vimos explodir em chamas e fragmentos que mais pareciam fogos de artifício. Esses pedaços caíram quase todos sobre o mar, mas muitos caíram perto da praia, o que facilitou o recolhimento de uma parte do material tão leve que parecia papel. Aqui, anexo uma pequena amostra do material, que não sei a quem devo confiar para análise. Nunca li artigos que relatassem sobre pedaços desprendidos de UFO`s, a menos que as autoridades militares tenham também impedido essas publicações. Certo de que este assunto muito lhe interessará, mando-lhe duas cópias desta".
Olavo Fontes.
Crédito: Arquivo Revista UFO
A assinatura na carta era ilegível e por isso não se pode identificar a pessoa que a envio. E esse viria a ser o maior problema do caso, pois sem conhecer essa pessoa e pegar seu depoimentos, não havia como provar que o material enviado fora encontrado na praia.

Mesmo assim a carta foi publicada na coluna de Ibrahim Sued, e isso chamou a atenção de Olavo Fontes, médico e ex-membro da Aerial Phenomena Researh Organization (APRO). Ele de início não acreditou na história, mas mesmo assim entrou em contato com Ibrahim para se encontrarem. O encontro ocorreu, eles conversaram e Ibrahim disse que não acreditava em OVNIs e nem tinha interesse no caso, e entregou as três amostras.

Três amostras dos fragmentos chegaram às mãos do ufólogo Olavo Fontes, que os encaminhou para análise. As primeiras análises foram feitas no Departamento Nacional de Produção Mineral do Ministério da Agricultura, sob responsabilidade de Luiza Maria Barbosa. Os exames foram realizados através de espectrografia, que indicaram alta concentração de magnésio (Mg), e ausência de outros elementos na amostra. Outros exames realizados nas amostras indicaram alta concentração do elemento magnésio (Mg).

A Análise Realizada no Fragmento 1.

Fragmento do UFO que explodiu em Ubatuba (SP)
Crédito: Portal Fenomenum.
Olavo então não perdeu tempo e começou a realizar testes nos fragmentos para descobrir a sua natureza. A amostra nº 1 foi enviada para o Laboratório de Produção Mineral, uma divisão do Ministério da Agricultura e analisada pela doutora Maria Luisa Barbosa, que o submeteu a análises de espectroscópio, determinando assim que o metal do fragmento era magnésio. Ela assim escreveu no relatório:
"Trata-se de magnésio com alto grau de pureza, sem a contaminação de qualquer outro elemento metálico. Isso não significa que não existam outros metais na amostra, eles somente não foram acusados neste teste. Isso poderia ocorrer se as linhas características de contaminação de outros metais fossem escondidas pelas linhas do espectro".
É intrigante ser magnésio quase puro porque o magnésio não é encontrado livre na natureza, porém entra na composição de mais de 60 minerais, sendo os mais importantes industrialmente os depósitos de dolomita, magnesita, brucita, carnallita, serpentina, kainita e olivina.

Outros testes foram realizados na amostra 1, como microscópio, de raio-X e mais testes espectrométricos, confirmando a pureza do magnésio. E algo importante tem de ser ressaltado. Os testes consumiram a amostra número 1, portanto ela foi destruída.


Fac-simile do laudo de análise do Fragmento 01 recolhidos em Ubatuba (SP)

Análise Realizadas nos Outros Fragmentos.

Ainda haviam mais dois fragmentos, que foram enviadas para a sede da Aerial Phenomena Research Organization (APRO). Coral Lorenzen, uma das diretoras da organização, então ao invés de enviar o fragmento inteiro para análise,enviou pequenos pedaços dos fragmentos para a Força Aérea Americana, mas o operador do espectograma destruiu a amostra sem conseguir dados. Eles pediram mais pedaços, o que foi negado. Então a APRO enviou para a Comissão Norte-Americana de Energia Atômica, que realizou os testes e descobriu:

  • Densidade específica de 1,7513, um pouco maior que do magnésio normal. Esse resultado interessante pode ser explicado pela presença de oxigênio no metal.
  • Vários elementos foram encontrados, mas os técnicos disseram que era devido a contaminação pelos eletrodos
  • O metal veio de um objeto que se quebrou rapidamente. Não existia evidência de derretimento, então se acreditava que uma explosão tenha estilhaçado o objeto.

Praia das Toninhas, local onde ocorreu o Caso Ubatuba
A APRO também mandou pequenos pedaços retirados do mesmo fragmento analisado pela Comissão Norte-Americana de Energia Atômica para o doutor R.S. Busk, diretor do Laboratório de Metalurgia da Companhia Dow Metal Products, em Midland, Michigan. E para espanto, os resultados tiveram diferenças bem significavas entre eles!

Amostras dos fragmentos foram novamente examinadas no final dos anos 60, como parte do Comitê Condon, um projeto de estuda da ufologia da Universidade do Colorado, e os resultados basicamente foram:
  • O fragmento que não era tão puro como afirmavam,
  • Haviam grande concentração de estrôncio, algo bastante interessante, pois alguém teve de adicionar artificialmente ele na amostra. Eles descobriram que a Companhia Cow tinha tecnologia para fazer isso, mas não explicaram como a amostra chegou ao Brasil.
  • Não eram originários de um grande objeto e que o material não faria parte de um objeto metálico artificial.
Portanto, resultados nada animadores... Depois de tudo, foi concluído que o fragmento número 1, o que foi destruído, era o único que poderia comprovar as pistas para uma conclusão positiva.

O que Seriam os Fragmentos?

O que poderiam ser esses fragmentos? Existem algumas explicações possível:
  • O metal seria de um meteoro. Problema: Se o magnésio não ocorre naturalmente na natureza, não existe razão para existir no Sistema Solar.
  • Avião ou um míssil. Problema: Opção descartada pela pureza do magnésio, já que não ocorre naturalmente , pois é muito reativo. Necessita ser fabricado.
  • Originário de uma nave extraterrestre. Se um disco voador tem uma fuselagem de magnésio puro e fundido, leve e tecnicamente puro, a evidência metalográfica e consistente.
  • Fraude. O fato de nunca terem descoberto quem enviou a carta a Ibrahim Sued, do jornal O Globo, pesa bastante para que tenha sido uma fraude.
Novas Investigações.

Já se passaram quase 50 anos do caso, e os fragmentos restante estão perdidos ou guardados pelo mundo. Foi descoberto que um museu na Argentina diz que tem fragmentos da explosão de 1957, mas os proprietários não deixam realizar estudos neles e os ufólogos ficam meio com o pé atrás por causa do tamanho dos fragmentos.

Eis então que o ufólogo Edson Boaventura Junior recebeu em maio de 2016 uma carta, escrita por alguém que se identificou como sendo filho de um militar, que manteve o anonimato, e que enviou junto quatro fragmentos que ele diz ser do caso Ubatuba!

Como não conseguiu contato com o rapaz, foi necessário realizar testes para saber se esses fragmentos são feitos de magnésio quase puro, assim como eram os fragmentos analisados por Olavo Fontes.

Edson junto com Josef Prado arrecadaram fundos, cerca de R$ 350,00 e fizeram uma amostra qualitativa, no Laboratório de Análises Químicas, vinculado ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas da USP. Foram analisados os quatro Fragmentos. O resultado: Preponderância de Magnésio! Portanto, os fragmentos estão ligados ao caso de 1957.

As novas análises a serem realizadas nestas amostras são muito caras (Segundo eles (Divulgado pelo canal Assombrados em Abril de 2017) mesmos em Torno de 10 a 12.000 Reais), portanto, os pesquisadores iniciaram uma campanha de arrecadação de fundos para a continuidade da investigação científica.

O Caso ainda está Aberto.

Fontes.

Livros: BULHER, Walter e PEREIRA, Guilherme. O Livro Branco dos Discos Voadores. Petrópolis: Ed. Vozes, 1983.

Boletins:

  • B15 Boletim da Sociedade Brasileira de Estudos de Discos Voadores - Edição 15
  • B22 Boletim da Sociedade Brasileira de Estudos de Discos Voadores - Edição 24-25
  • B46 Boletim da Sociedade Brasileira de Estudos de Discos Voadores - Edição 90-93
  • B63 Boletim da Sociedade Brasileira de Estudos de Discos Voadores - Edição 1975 

Artigos de Revistas: GRANCHI, Irene. Fragmentos e traços físicos de OVNIs. OVNI Documento, Rio de Janeiro, nº 2, p. 6-8, janeiro 1979.

http://www.fenomenum.com.br/ufo/casuistica/1950/ubatuba

http://www.portalburn.com.br/explosao-de-ovni-em-ubatuba-1957-analise-qualitativa-dos-fragmentos/

https://www.catarse.me/analise_de_fragmento_de_ovni

http://www.portalburn.com.br/sinais-do-ceu-desvendar-e-entender-ep-1-explosao-em-ubatuba-piloto/

http://www.assombrado.com.br/2016/12/caso-ubatuba-um-ovni-explodiu-em-1957-e.html

http://www.alemdaciencia.com/o-caso-ubatuba-uma-amostra-controversa-de-magnesio/

http://www.espacoufologico.blogspot.com/2008/07/o-caso-ubatuba.html

http://www.ufoevidence.org/cases/case829.htm

http://www.ufocasebook.com/ubatuba.html

https://ufo.com.br/artigos/uma-explosao-em-ubatuba/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Magn%C3%A9sio

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