quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

30 de Fevereiro.


O ano tem 365 dias e 12 meses, com 30 e 31 dias intercalados, exceto fevereiro.

Já parou para pensar que todos os meses têm 30 dias ou mais de duração, exceto o segundo mês do ano? Por que será que fevereiro não tem 30 dias? Sem dúvidas muitos já se fizeram esse questionamento e nem todos encontraram a resposta. Antes de tentarmos responder a essa pergunta, é importante entender como funcionam os calendários, pois apesar de nem todos saberem, há toda uma sistemática baseada em ciências e estudos para que eles sejam feitos.


O dia 30 de fevereiro existiu em três vezes na história, em contrapartida de fevereiro ser um mês com 28 dias no calendário gregoriano (29 em anos bissextos). Esse dia, por não "existir" no calendário comum, é também chamado de "dia de São Nunca", um "santo" evidentemente fictício representando que esse dia "nunca vai chegar".

Como funcionam os calendários?

Ao contrário do que muitos pensam, os calendários não são feitos baseados apenas no movimento de translação da Terra ao redor do Sol, também chamado de ano solar, mas nos equinócios e solstícios, que são os eventos que marcam o início e o fim das estações do ano.

O calendário que usamos até hoje é o chamado gregoriano, por ter sido decretado pelo Papa Gregório XIII, no dia 24 de fevereiro do ano 1582, o primeiro dia oficial do novo calendário foi em 15 de outubro do mesmo ano. Foi criado para substituir o Calendário Juliano, implantado por Júlio César em 46 a.C.

Mas o que tinha de errado com o antigo calendário à ponto de precisar de um substituto?

Antes de Gregório XIII reformular o Calendário, Júlio César reformulou o Calendário Romano, seguindo de forma prática o modelo do calendário egípcio com o conselho do astrônomo alexandrino Sosígenes.

O primeiro calendário romano era um calendário lunar com dez meses, começando no equinócio da Primavera, implantado, segundo a lenda, por Rômulo, o fundador de Roma aproximadamente em 753 a.C.

Neste primeiro calendário romano, o ano tinha 10 meses de 30 ou 31 dias, que totalizavam 304 dias e os demais 61 dias que coincidiam com o inverno não entravam no calendário havendo pouco interesse de acompanhamento temporal neste período do ano.
  1. Márcio (31 dias)
  2. April (30 dias)
  3. Maio (31 dias)
  4. Júnio (30 dias)
  5. Quintil (30 dias)
  6. Sextil (30 dias)
  7. Setembro (30 dias)
  8. Outubro (31 dias)
  9. Novembro (30 dias)
  10. Dezembro (30 dias)
A primeira reforma do calendário ocorreu com Numa Pompílio, o segundo dos sete reis de Roma, por volta de 713 a.C., que reduziu os meses de 30 dias para 29 dias e adicionou os meses de Januarius (29 dias) e Februarius (28 dias) no final do calendário aumentando o seu tamanho para 355 dias, transformando-o em um calendário luni-solar, mantendo os inícios dos meses coincidindo com os inícios das fases da Lua e adicionando de tempos em tempos um mês extra para completar o ano solar.

Este calendário fora baseado no calendário grego praticado em Atenas, que já era um calendário luni-solar e bem mais preciso que aquele primeiro calendário praticado em Roma e que, então, também passou a ser de 12 meses com um mês adicional para manter o ciclo anual lunar alinhado com o ciclo anual solar.
  1. Márcio (31 dias)*
  2. April (29 dias)
  3. Maio'(31 dias)
  4. Júnio (29 dias)
  5. Quintil (31 dias)
  6. Sextil (29 dias)
  7. Setembro (29 dias)
  8. Outubro (31 dias)
  9. Novembro (29 dias)
  10. Dezembro (29 dias)
  11. Januário (29 dias)
  12. Februário (28 dias)
(*Curiosamente os antigos romanos "previram" o começo de ano no Brasil. Não é a toa que existe uma máxima aqui no Brasil que diz que o ano só começa em 1° de Março)

Para manter este alinhamento de ciclos, de dois em dois anos deveria ser adicionado um mês extra de 22 ou 23 dias, mensis intercalaris, de nome Mercedônio ou Mercedino, próximo ao final de Februário (Februarius) logo após os dias 23 ou 24, que era terminado somente após a conclusão deste mês intercalar, resultando em uma sequencia de anos com 355, 377, 355 e 378 dias, com uma média de 366,25 dias.

A decisão de inserir o mês intercalado, e sua posição, era a responsabilidade do pontífice máximo (pontifex maximus) que controlava para que o calendário não se distanciasse das efemérides anuais tornando irregular a sequência de inclusões. O sistema de alinhar o ano através destes meses intercalares falhou pelo menos duas vezes.

A primeira foi durante e após a Segunda Guerra Púnica. Isso levou a reforma da Lei Acília em 191 a.C., sendo bem sucedida por longo período.

A segunda falha foi na metade do Século I a.C. e que resultou na reforma instituída por Júlio César no ano 46 a.C, na qualidade de pontífice máximo do Império Romano, a quem competia a tarefa de decidir quando se introduziam os meses intercalares. Com a implantação de um calendário solar, em substituição do calendário luni-solar de Numa Pompílio, posteriormente chamado de calendário juliano.

A reforma do calendário juliano entrou em vigor no dia 1 de janeiro do ano 45 a.C., tornando o calendário romano num calendário solar, alinhado pelas estações do ano, à semelhança do calendário egípcio já então em vigor. As principais características desta foram:
  • Fixar o calendário anual em 365 dias que se designa ano comum,
  • Fixar o calendário anual em 12 meses, abandonando completamente o sistema de meses intercalares, e distribuindo os dias de diferença entre o valor médio do calendário tradicional e o novo pelos vários meses do ano, acrescentando-os em 1 ou 2 dias,
  • Acrescentar 1 dia de 4 em 4 anos (4 x 6 horas = 24 horas, 1 dia), resultante da diferença de aproximadamente 6 horas entre os 365 dias do novo calendário e o valor médio do ano trópico de 365 dias e 6 horas, ou 365 dias e 1/4 ou 365,25 dias. O dia a intercalar ocorria no 6º (sexto) dia (VI) antes das calendas de março ou 24 de fevereiro no nosso calendário. O dia repetido dizia-se o dia bissexto antes das calendas de março, o que passou a identificar quer o dia assim acrescentado (dia bissexto) quer o ano em que se fazia essa intercalação (ano bissexto). Quando se abandonou a forma de contagem regressiva típica do calendário romano e se passou a usar a contagem contínua dos dias do mês, do primeiro ao último dia, o dia a acrescentar passou a ser intercalado depois do último dia do mês de fevereiro, antes do mês de março, como ainda hoje usamos.
  • O primeiro dia do ano passa a ser o dia das calendas de janeiro ou 1 de janeiro no nosso calendário, 8 dias depois do solstício de inverno, calculado para coincidir com o 8º dia (VIII) antes das calendas de janeiro ou 25 de dezembro no nosso calendário, tal como as outras estações deveriam igualmente ocorrer por volta do oitavo dia antes dos meses de abril, julho e outubro.
O calendário juliano, com as modificações feitas por Augusto, continua sendo utilizado pelos cristãos ortodoxos em vários países. Nele, os anos bissextos ocorrem sempre de quatro em quatro anos, enquanto no calendário gregoriano não são bissextos os anos seculares exceto os múltiplos de 400, o que hoje acumula uma diferença para o calendário gregoriano de 13 dias. Assim, o dia 28 de Fevereiro de 2018, no calendário juliano é dia 15 de Fevereiro de 2018.

Porque Fevereiro Não Tem 30 Dias?

Além de colocar os meses de janeiro e fevereiro, que eram os últimos, no começo do ano, Júlio Cesar mudou o nome do mês Quintilis para Julius (Julho), em sua própria homenagem. Ele tirou um dos dias de Februário (fevereiro) e colocou em Julho para que este tivesse 31 dias, assim, o segundo mês do ano passou a ter 29 dias.

Após algumas décadas, em 8 a.C, o mês Sextilis foi rebatizado pelo Senado Romano para Augustus (Agosto), em homenagem ao Imperador César Augusto, que era sobrinho-neto de Júlio César. Assim como julho, Agosto ganhou mais um dia que foi retirado de fevereiro, fazendo assim, como que este fosse reduzido a 28 dias.

A cada quatro anos, o mês de fevereiro ganha um dia a mais e esse ano é chamado de ano bissexto, como foi o ano de 2016 e será o de 2020. O ano bissexto, passa a ter 366 dias.

E isso acontece está no tempo que dura um ano, que não é 365 dias exatos, mas sim 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 48 segundos aproximadamente. Esse tempo que “sobra” é acumulado e transformado em um dia a cada quatro anos.

Almanaque sueco de 1712, com a indicação de 30 de Janeiro
O caso da Suécia.

O calendário gregoriano, implantado em 1582, não foi prontamente seguido por todos os países. Em Novembro de 1699, quando a Suécia (em cujo reino se incluía na época a Finlândia) planejou mudar do calendário juliano para o gregoriano, havia uma diferença de 11 dias entre eles. O planejado seria omitir o dia extra dos anos bissextos entre 1700 e 1740, incluindo-os( dependendo da fonte utilizada a regra é outra: entre 1700 e 1711 omitir-se-ia 1 dia por ano. Mas só foi seguido em 1700. A correção em 1712 seria a mesma para voltar ao calendário juliano). Assim a mudança seria gradual, mas não foi seguida após seu primeiro ano de implantação. Desta forma, 1700 não foi bissexto na Suécia, mas 1704 e 1708 sim, contrariando o plano. Com isto, o calendário sueco ficou um dia à frente do calendário juliano, mas ainda dez atrás do gregoriano. Assim, em 1711 os suecos resolveram abandonar o sistema, já que o calendário por eles adotado não tinha correspondentes em qualquer outro país, criando uma enorme confusão. Portanto 1712 foi bissexto e ainda incluiu um dia a mais, o 30 de Fevereiro para voltar em sincronia com o calendário juliano. A mudança sueca para o calendário gregoriano foi finalmente realizada em 1753, com a exclusão de 11 dias, onde 17 de Fevereiro daquele ano foi seguido por 1° de Março.

A União Soviética.

Em 1929, a União Soviética introduziu um calendário revolucionário no qual todos os meses tinham 30 dias e os outros 5 ou 6 dias eram feriados não pertencentes a meses. Em 1930 e 1931, houve portanto um 30 de fevereiro, mas em 1932 os meses voltaram ao sistema tradicional.

Morreu no Dia 30 de Fevereiro?

Existe uma velha história (bastante humorada) ao redor do mundo relacionada ao Ano Bisexto, se uma pessoa nasce no dia 29 de Fevereiro, ela apenas faz aniversário de 4 em 4 anos. As pessoas nascidas no dia 29 de fevereiro não fazem aniversário de quatro em quadro anos. Se um bebê nasce no ano bissexto, ele é registrado (na maioria das vezes) ou dia 28 fevereiro ou dia 1 de março. Isto acontece para evitar problemas quanto ao nascimento ou coisa do tipo. Quem nasce no dia 29 se sente privilegiado por ter nascido em um dia que só existe a cada quatro anos.

Porém, não existem nenhuma lei que obrigue os cartórios a mudar o dia de seu nascimento. Com os computadores, este problema acabou. Logo se seu filho nascer no dia 29, ele tem todo direito de ser registrado no dia 29 e os computadores resolvem seu problema com identidade ou qualquer coisa do tipo. O aniversário fica por conta de qualquer um, pode comemorar um dia antes e pode comemorar um dia depois.

E para quem morrer no dia 30 de Fevereiro?

Na lápide, as palavras “Amor Fraternal” marcam um dos túmulos mais famosos do Cemitério Municipal de Espírito Santo do Pinhal, no interior de São Paulo, a 200 quilômetros da capital. Consta ali que Antônio Barros Pimentel Júnior nasceu em 1º de abril de 1875. Mas o que espanta é a data da morte: 30 de fevereiro de 1892.

A sepultura virou um atrativo do lugar. Segundo coveiros, muita gente chega ao local à procura do homem que morreu no dia que não existe.

Sempre conto esta história para as crianças. Mas quando digo que o homem nasceu em 1º de abril, o ‘Dia da Mentira’, elas acham que também é mentira — observa o escritor Ricardo Biazotto, que mora na cidade.

Para muitos moradores, a data inusitada no túmulo seria mesmo algum tipo de brincadeira de mau gosto devido à data do nascimento. Outros defendem que foi apenas erro do marmorista ao fazer a lápide. A administração do cemitério localizou os dados do morto. Antônio Barros Pimentel Júnior realmente existiu. Mas, segundo a certidão de óbito, ele teria falecido no dia 20 de fevereiro tendo como declaração de causa da morte ‘incômodo nos rins’.

Acho que pode ter sido um erro no calendário já que a data é tão antiga. Ou desatenção da família ou erro do marmorista que fez a lápide, concorda Reginaldo Ribeiro, funcionário da administração.

Fontes

https://pt.wikipedia.org/wiki/30_de_fevereiro

https://pt.wikipedia.org/wiki/Calend%C3%A1rio_gregoriano

https://pt.wikipedia.org/wiki/Calend%C3%A1rio_juliano

https://pt.wikipedia.org/wiki/Calend%C3%A1rio_romano

https://www.estudopratico.com.br/por-que-fevereiro-nao-tem-30-dias/

https://oglobo.globo.com/sociedade/o-tumulo-do-homem-que-morreu-em-30-de-fevereiro-20451562

https://www.marretaurgente.com.br/veja-o-video-tumulo-de-morto-em-30-de-fevereiro-causa-espanto-em-cidade-brasileira/

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