quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Enciclopédia dos Mitos e Lendas do Brasil (Bestiário) O Boitatá.

A muito tempo atrás, uma noite se prorrogou, o bastante para parecer que o amanhecer nunca mais ocorreria. Tal noite muito escura, sem estrelas sem ventos e sem barulho algum dos animais da floresta, da qual apenas um grande silêncio imperava

Os homens estavam dentro de suas casas e passavam fome e frio. Não havia como cortar lenha, para os braseiros que mantinham as pessoas aquecidas. Nem como caçar naquela escuridão.

Os dias foram passando e começou chover bastante, tal chuva inundou tudo e muitos animais acabaram morrendo. Uma grande cobra que vivia em repouso num imenso tronco despertou faminta e começou a comer os olhos de animais mortos, que brilhavam boiando nas águas.

Alguns dizem que eles brilhavam devido a luz do último dia em que os animais viram o sol. De tanto olhos brilhantes que a cobra comeu, ela ficou toda brilhante como fogo e transparente. A cobra se transformou num monstro brilhante, da qual o chamaram de Boitatá.



Fazia bastante tempo que essa enciclopédia estava parada não é mesmo. mas tem um motivo para eu postar essa lenda aqui. A mitologia Brasileira e rica e diversificada, da qual possuem dezenas de seres fantásticos e divindades que poucos conhecem. Nesta parte dos Bestiários eu apresento o Boitatá. Uma criatura mítica que e descrita desde que o Brasil foi descoberto. Sua principal característica seria de uma cobra flamejante de grandes olhos. O nome Boitatá é um termo tupi-guarani, o mesmo que Baitatá, Biatatá, Bitatá, Batatá e Batatão, usado para designar, em todo o Brasil, o fenômeno do fogo-fátuo, e deste derivando algumas entidades míticas, das primeiras registradas no país.

O termo mais difundido no Brasil é Boitatá. (do Tupi Guarani – Mbãetata/ Mbãe = coisa, Tatá = Fogo) O nome é a junção das palavras tupis boi e tatá, significando cobra e fogo, respectivamente, ou ainda de mboi − a coisa ou o agente. Significa, assim, cobra de fogo, fogo da cobra, em forma de cobra ou coisa de fogo.

Sobre a etimologia, escreveu Couto de Magalhães que "como a palavra o diz, boitatá é cobra-de-fogo'" (in: O Selvagem, Rio de Janeiro, 1876).

No Sul, é chamado de Baitatá ou Batatá e até mesmo de Boitatá. Na Bahia, aparece como biatatá. Em Minas Gerais chamam-no de bata. No Nordeste, é comum o termo batatão. Nos estados de Sergipe e Alagoas, recebem os nomes de Jean de la foice ou Jean Delafosse.

A lenda do boitatá foi contada pelos portugueses, na época da colonização, os padres quem descreveram algumas das características d o Boitatá: uma gigantesca cobra de fogo ondulada, com olhos que parecem dois faróis, couro transparente, que cintila nas noites em que aparece deslizando nas campinas e na beira dos rios. A lenda menciona que o Boitatá pode se transformar em uma tora em brasa, para assim queimar e punir quem coloca fogo nas matas. (O mesmo que outros seres da mitologia Brasileira fazem proteger a floresta)

Em 1560 o Padre José de Anchieta registrou sobre o ser, da qual ouviu dos índios.

"Há também outros (fantasmas), máxime nas praias, que vivem a maior parte do tempo junto do mar e dos rios, e são chamados baetatá, que quer dizer cousa de fogo, o que é o mesmo como se se dissesse o que é todo de fogo. Não se vê outra cousa senão um facho cintilante correndo para ali; acomete rapidamente os índios e mata-os, como os curupiras; o que seja isto, ainda não se sabe com certeza." (in: Cartas, Informações, Framentos Históricos, etc. do Padre José de Anchieta, Rio de Janeiro, 1933)

Diversas Versões.

Como a maioria das lendas e crendices populares que são passadas de geração em geração através do “ouvir e contar”, a lenda do Boitatá sofreu algumas modificações, sendo que em muitas partes do Brasil a lenda é contada de forma diferente.

 De acordo com a lenda contadas no Norte e Nordeste, o boitatá protege as matas e florestas das pessoas que provocam queimadas. O boitatá vive dentro dos rios e lagos e sai de seu "habitat" para assombrar e queimar as pessoas que praticam incêndios nas matas. De acordo com esta lenda, o boitatá possui a capacidade de se transformar num tronco de fogo. Este animal passa grande parte do tempo rastejando pelas florestas na escuridão da noite, pois é uma alma penada que deve pagar seus pecados desta forma.


Na obra Lendas do Sul, de João Simões Lopes Neto, há um conto com esse nome que descreve bem a lenda. A ideia era de uma luz que se movimentava no espaço, daí "veio a imagem da marcha ondulada da serpente". Foi essa imagem que se consagrou na imaginação popular. Descreve-se o Boitatá como uma serpente com olhos como dois faróis, couro transparente, que cintila nas noites em que aparece deslizando nas campinas, nas beiras dos rios. Em Santa Catarina, a figura aparece como um touro de "pata como a dos gigantes e com um enorme olho bem no meio da testa, a brilhar que nem um tição de fogo".

No Rio Grande do Sul, narra-se a lenda de que houve um período de noite sem fim nas matas. Além da escuridão, houve uma enorme enchente causada por chuvas torrenciais. Assustados, os animais correram para um ponto mais elevado a fim de se protegerem. A boiguaçu, uma cobra que vivia numa gruta escura, acordou com a inundação e, faminta, decidiu sair em busca de alimento, com a vantagem de ser o único bicho acostumado a enxergar na escuridão. Decidiu comer a parte que mais lhe apetecia: os olhos dos animais. De tanto comê-los, foi ficando toda luminosa, cheia de luz de todos esses olhos. Seu corpo transformou-se em ajuntadas pupilas rutilantes, bola de chamas, clarão vivo, boitatá, cobra de fogo. Ao mesmo tempo a alimentação farta deixou a boiguaçu muito fraca. Ela morreu e reapareceu nas matas serpenteando luminosa. Quem encontra esse ser fantástico nas campinas pode ficar cego, morrer e até enlouquecer. Assim, para evitar o desastre, os homens acreditam que têm que ficar parados, sem respirar, e de olhos bem fechados. A tentativa de escapar da cobra apresenta riscos porque o ente pode imaginar fuga de alguém que ateou fogo nas matas. No Rio Grande do Sul, acredita-se que o "boitatá" é o protetor das matas e das campinas. A verdade é que a ideia de uma cobra luminosa, protetora de campinas e dos campos aparece freqüentemente na literatura, sobretudo nas narrativas do Rio Grande do Sul.

Outra explicação para o surgimento da cobra de fogo está relacionada ao dilúvio (história bíblica que fala sobre a chuva que durou 40 dias e 40 noites). Após o dilúvio, muitos animais morreram e as cobras ficaram rindo felizes, pois havia alimento em abundância. Como castigo, a barriga delas começou a pegar fogo, iluminando todo o corpo.


Ainda hoje, essa lenda folclórica impressiona adultos e crianças, sendo citada, inclusive, como personagem de destaque em várias obras contemporâneas como, por exemplo, “Quem tem medo do Boitatá?", de Manuel Filho, lançada em 2007. Nesta história infanto-juvenil, o avô do protagonista, Sandrinho, é cego pelo próprio Boitatá. A serpente também é relembrada na história de José Santos, “O casamento do Boitatá com a Mula-sem-cabeça”, onde o autor descreve de forma lúdica a união de vários seres de nosso folclore. O mito, em sua versão sincrética, aparece ainda no livro "A lenda do Batatão", de Marco Haurélio, escrito em sextilhas de cordel. O Batatão, embora conserve sua característica ígnea, se aproxima das almas penadas. Nas referidas obras, assim como em muitas outras, o ser fantástico é citado como “o Boitatá”, mas é possível encontrar citações como “a Boitatá” tal como ocorre na obra recente de Alexandra Pericão, "Uaná, um curumim entre muitas lendas", em que a serpente, também comedora de olhos, é descrita de um jeito bem contemporâneo, com citações divertidas, como “Mas ninguém, até hoje, e isso é o mais espantoso de tudo, conseguiu colocar uma foto sua na internet. Apesar do tamanho gigante, a serpente é tão discreta, que só conseguem vê-la aqueles que ela mesmo captura”. Também José Simões Lopes Neto, em obra supramencionada, refere-se ao ser no feminino, valendo citar o trecho: “Foi assim e foi por isso que os homens, quando pela primeira vez viram a boiguaçu tão demudada, não a conheceram mais. Não conheceram e julgando que era outra, muito outra, chamam-na desde então, de boitatá, cobra do fogo, boitatá, a boitatá!”

Algumas versões da lenda contam que se uma pessoa estiver colocando fogo na floresta e encontrar com o boitatá pela frente, terá uma terrível consequência. Poderá morrer, ficar cego ou até mesmo enlouquecer.

De acordo com a lenda, o fogo que sai da boca do boitatá é mágico, por isso ele não queima as árvores e plantas das florestas. Pelo mesmo motivo, ele também não se apaga quando a criatura folclórica encontra-se dentro da água.

Explicação científica.

Pesquisadores afirmam que esta lenda está associada aos fogo-fátuos, que ocorrem espontaneamente em função da queima de gases oriundos da decomposição de material orgânico. Ossos de animais − tais como bois, cavalos etc. − são ricos em fósforo branco, um material inflamável (diferente do fósforo vermelho, que é usado como medicamento). Quando se aglomeram num lugar e se decompõem, sobra apenas o fósforo. Quando um raio ou faísca entra em contato com os ossos semi-decompostos, surge uma enorme chama.

O que é o Fogo-Fátuo?

Fogo-fátuo (do latim i̅gnis fatuus), também chamado de Fogo tolo ou, no interior do Brasil, Fogo corredor ou João-galafoice, é uma luz azulada que pode ser avistada em pântanos, brejos etc.

Na ciência moderna, é geralmente aceito que a maioria dos ignis fatuus são causados pela oxidação de fosfina (PH3), difosfano (P2H4) e metano (CH4) junto a ionização de suas moléculas formando o plasma. Estes compostos, produzidos pela decomposição orgânica, podem causar emissões de fótons. Uma vez que as misturas de fosfina e difosfano e inflamam-se espontaneamente em contato com o oxigênio no ar, seriam necessárias apenas pequenas quantidades para inflamar o metano, muito mais abundante, para criar incêndios efêmeros. Além disso, a fosfina produz pentóxido de fósforo como um subproduto, que forma ácido fosfórico em contato com vapor de água.

Fontes.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Boitat%C3%A1

https://pt.wikipedia.org/wiki/Fogo-f%C3%A1tuo

http://www.sohistoria.com.br/lendasemitos/boitata/

https://www.suapesquisa.com/folclorebrasileiro/lenda_boitata.htm

http://incriaturas.blogspot.com.br/2015/09/boitata.html?view=flipcard

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