quinta-feira, 21 de junho de 2018

Enciclopédia dos Mitos e Lendas do Brasil: (Bestiário) Capelobo

Até o Post de um dos grandes do Folclore Brasileiro não sair, iremos falar de um primo, uma versão indígena do Lobisomem. Advindo do Bestiário brasileiro, apresento o Capelobo.

Capelobo é um personagem do folclore brasileiro, que possui aparência de monstro. Chamado também pelos nomes de cupelobo, nome este parece ser uma fusão indígena-português: capê (osso quebrado, torto ou aleijado) + lobo.

A lenda lhe dá características de licantropo e, às vezes, também de vampiro.

Sua lenda é muito comum em especial nos estados do Maranhão, Amazonas e Pará. Acredita-se que tenha surgido entre os povos indígenas da região Norte do Brasil. Trata-se de uma criatura que, segundo consta os contos folclóricos, provém de uma mistura entre seres humanos com outras espécies animais.

Segundo Câmara Cascudo (Geografia dos Mitos Brasileiros, “Ciclo dos Monstros”) é um animal fantástico, de corpo humano e focinho de anta ou de tamanduá-bandeira, (ou de cachorro, dependendo da versão) Ainda segundo o dito folclórico, o Capelobo tem uma vida ativa durante a noite e madrugada, quando fica perambulando e rodeando barracões, casas e acampamentos no meio da mata no interior do Maranhão e Pará. Denuncia-se corpo humano forte, patas redondas (formato de fundo de garrafa) com muitos pelos no corpo e seu grito.

Emitindo sons assustadores (gritos altos), este monstro se alimenta de cães e gatos, principalmente os que acabaram de nascer. Ataca também os caçadores, matando-os e bebendo o sangue das vítimas.

Encontrando bicho de porte ou caçador, rasga-lhe a carótida e bebe o sangue. Para matar essa criatura monstruosa, é necessário dar um tiro certeiro em seu umbigo, sendo esta a única maneira efetiva de eliminá-la, como consta em sua lenda.

O Mylohyus nasutus, suíno selvagem extinto (até 7.000 a.C.) da
América do Norte, assemelhava-se a algumas descrições do
Capelobo na forma animal. Tinha cerca de 90 cm
de altura, 1,60 m de comprimento e pesava 85 kg
Segundo S. Fróis Abreu (Na Terra das Palmeiras, 188-189, Rio de Janeiro, 1931): “Acreditam que nas matas do Maranhão, principalmente nas do Pindará, existe um bicho feroz chamado cupelobo... Um índio timbira andando nas matas do Pindará chegara a ver um desses animais que dão gritos medonhos e deixam um rastro redondo, como fundo de garrafa. O misterioso animal tem corpo de homem coberto de longos pêlos; a cabeça é igual à do tamanduá-bandeira e o casco com fundo de garrafa. Quando encontra um ser humano, abraça-o, trepana o crânio na região mais alta, introduz a ponta do focinho no orifício e sorve toda a massa cefálica: 'Supa o miolo', disse o índio.”

Já segundo Lendas do Maranhão, de Carlos de Lima, o capelobo parece-se com a anta, mas é mais ligeiro do que ela, e tem cabelos longos e negros e as patas redondas. Sua caçada é feita à noite, quando sai em busca de animais recém-nascidos para satisfação de sua fome inesgotável. Se apanha qualquer ser vivente, homem ou animal, bebe-lhe o sangue com a sofreguidão dos sedentos.

Dando gritos horríveis para apavorar os que encontra, que, paralisados de medo, têm o miolo sugado até o fim através da espécie de tromba que ele introduz no crânio da pobre vítima. Esses gritos, que no meio da mata se multiplicam em todas as direções, desnorteiam os caçadores e mateiros que assim vagam perdidos, chegando, às vezes, a enlouquecer.

O capelobo (forma semi-humana), na interpretação do artista Walmor Corrêa

Semelhanças com o Lobisomem.

A lenda do Capelobo possui muitas semelhanças com a do lobisomem. Por isso, alguns folcloristas dizem que ele é uma espécie de lobisomem da região norte do Brasil. Em algumas tribos indígenas que habitam a região do rio Xingu, acredita-se que alguns índios possuem a capacidade de se transformarem em Capelobo.

Dentre os pontos de atenção, destacam-se:
  • Em algumas variações dessa lenda ele perfura o cranio de suas vitimas e suga o seu cérebro;
  • Devido a semelhança ele é muito confundido com o lobisomem podendo ser até chamado de "lobisomem do Norte";
  • Na forma animal, é do tamanho de uma anta, mas é mais veloz;
  • Apresenta um focinho descrito como de cão, anta, porco ou tamanduá e tem uma longa crina; 
  • Peludo e muito feio, sempre perambula pelos campos, especialmente em várzeas;
  • Na forma semi-humana, aparece com um corpo humano com focinho de tamanduá e corpo arredondado.
Fontes.
  • Cascudo, Luís da Câmara. Dicionário do folclore brasileiro. Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro, 1954
  • Cascudo, Luís da Câmara. Geografia dos mitos brasileiros. 2ª ed. São Paulo, Global Editora, 2002, p.57
  • Corso, Mário. Monstruário; inventário de entidades imaginárias e de mitos brasileiros. 2ª ed. Porto Alegre, Tomo Editorial, 2004, p.57-58

https://pt.wikipedia.org/wiki/Capelobo

https://www.suapesquisa.com/folclorebrasileiro/capelobo.htm

http://pt.fantasia.wikia.com/wiki/Capelobo

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